A Criança Nossa de Cada Dia


Queria de novo ser criança
Voltar os dias, voltar no tempo!
Pintar novamente a esperança
Só enquanto estou lendo!
Brincar na chuva sob a trovoada
Sentir o cheiro de minha infância
Correr na rua com a molecada
voltar a confiar feito criança!

E sem reservas poder perdoar
E amar com um amor puro e inocente
E rir e sorrir sem se preocupar
Com vida de adulto simplesmente!
Abraçar todas as pessoas que perdi
Para as circunstâncias que a vida impôs
E lembrar daqueles que me esqueci
pois a correria os apagou depois!

Das brincadeiras ingênuas
Sem malícia, sem tecnologia
Tínhamos a criatividade apenas
Num graveto o condão de magia!
Saudades de tantos joguinhos
Igual: papel, pedra e tesoura,
Dos mimos recheados de carinhos
Avós, tios e pais que nos davam outrora.

Saudade até da lama quando chovia
Que ficávamos ilhados dentro de casa
Mas quando o sol lindo surgia
Dava-nos um par belo de asas.
Daquela música que um dia será cafona
Mas é a chave que me trará para cá,
Das famosas guerras de mamona
Que a próxima geração jamais ouvirá falar...

Das bonecas feias que as meninas brincavam
E faziam-nos comer a comidinha de barro
Mas naquele tempo nada importava
O “bullying” na época chamávamos de sarro.
Quase ninguém ligava para TV
E computador se quer lá existia
O legal mesmo era uma carta escrever
Dias depois a resposta nos vinha!

Amigos valiam mais do que o ouro
Havia violência só em partida de pião
Onde o de um quebrava o do outro
Onde irmão defendia irmão! 
Mesmo porque não ligávamos para dinheiro
E a criatividade era a nossa riqueza
Brincávamos quase o dia inteiro
E o estudo era a nossa fortaleza!

Onde a mãe educava o filho
Com cinta, ou vara de marmelo
Onde o brio se alojava no cílio
E estava pronto a defender o castelo!
Fico triste por ver a chave parar de rodar
Então volto novamente ao meu tempo
Onde a tecnologia se respira em pleno ar
Aqui a criança sequer tem envolvimento. 

Osny Alves
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